O PaiTerra de semente inculta e bravia,
terra onde não há esteiros ou caminhos,
sob o sol minha vida se alonga e estremece.
Pai, nada podem teus olhos doces,
como nada puderam as estrelas
que me abrasam os olhos e as faces.
Escureceu-me a vista o mal de amor
e na doce fonte do meu sonho
outra fonte tremida se reflecte.
Depois... Pergunta a Deus porque me deram
o que me deram e porque depois
conheci a solidão do céu e da terra.
Olha, minha juventude foi um puro
botão que ficou por rebentar e perde
a sua doçura de seiva e de sangue.
O sol que cai e cai eternamente
cansou-se de a beijar... E o outono.
Pai, nada podem teus olhos doces.
Escutarei de noite as tuas palavras:
... menino, meu menino...
E na noite imensa
com as feridas de ambos seguirei.
Pablo Neruda, in "Crepusculário"
Tradução de Rui Lage
quarta-feira, 19 de março de 2014
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Fernando Tordo emigrou para o Brasil
Fernando Tordo emigrou para o
Brasil. Cresci a ouvir as músicas dele e de outros cantores da sua geração. Independentemente de ideologias politicas, sempre senti uma grande admiração por toda essa geração de cantores. Poderia
aqui enumerar um sem fim de cantores portugueses que marcaram a minha
adolescência, como Paulo de Carvalho, Paco Bandeira, José Afonso (já falecido),
Carlos do Carmo, José Cid, Carlos Mendes, António Calvário, Tony de Matos (já falecido), etc, etc …
Custa-me compreender como é que uma pessoa, aos 65 anos, resolve abandonar o país e emigrar. Não estou a ver alguém com essa idade pegar na mala e emigrar sem destino certo, sem saber o que o espera. Possivelmente, terá propostas de trabalho do outro lado do oceano. Estou certo que sim.
Custa-me compreender como é que uma pessoa, aos 65 anos, resolve abandonar o país e emigrar. Não estou a ver alguém com essa idade pegar na mala e emigrar sem destino certo, sem saber o que o espera. Possivelmente, terá propostas de trabalho do outro lado do oceano. Estou certo que sim.
O filho, João Tordo, escreveu no
seu blog que o pai recebe uma pensão de pouco mais de 200,00 euros. Fiquei inquieto a
pensar o porquê de uma pensão tão baixa. Realmente é uma pensão muito baixa
para alguém que trabalhou toda a vida. Por outro lado, sei que as reformas são,
em geral, baseadas nos descontos efectuados ao longo da vida. Assim sendo,
presumo que o Fernando Tordo terá feito descontos muito baixos. Das duas uma,
ou nunca fez descontos, o que me custa a crer, ou fez descontos tendo por base um salário muito baixo. Não seria o primeiro, como empresário, a fazer descontos pelo mínimo aceitável pela segurança social.
Não quero condenar a pessoa em
causa, apenas quero compreender o porquê de uma reforma tão baixa e da sua
saída de Portugal.
Terá ele contribuído para a
segurança Social como trabalhador independente e terá declarado um rendimento
baixo para que os descontos fossem também baixos?
É certo que ninguém tem nada a
ver com a vida do Senhor, mas perturba-me ver alguém tão querido pelos
portugueses sair desta maneira de Portugal e proferir as palavras que proferiu
na sua despedida.
Espero que as hipóteses que
levantei para justificar a baixa reforma estejam erradas. A serem verdade,
também ele teria contribuído para, de forma fraudulenta, o estado a que
chagamos em Portugal. Não quero acreditar nesta versão.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Os quadros de Miró
Então o Estado português não pode
vender o pouco que resta com valor da despesa mais desastrosa do século? (não
lhe chamo investimento, investimento é outra coisa )
Não se esqueçam que a
nacionalização do banco BPN já custou aos portugueses 1,7 mil milhões de euros. Poderá já ter custado mais, pois a noticia é de julho de 2013.
O
governo socialista nacionalizou o banco invocando o efeito de contágio caso este falisse. Até hoje não vi um único estudo que quantificassem esse contágio pelo que tenho as minhas dúvidas quanto à certeza de que a nacionalização foi a melhor
opção. E depois, quando vem a público o nome das pessoas envolvidas e interessadas na gestão do banco, as minha dúvidas aumentam, tornando-se em certezas. O banco deveria ter falido.
Com o custo da nacionalização,
mais as surpresas financeiras e económicas que o Estado teve até ao momento, segundo
o referido jornal, o valor ultrapassa o valor acima referido.
No meio de todo o lixo encontrado
nos investimentos do BPN, estavam os quadros de Miró, avaliados em alguns
milhões de euros. O Estado português, e bem, resolveu leva-los a leilão para
assim amortizar a despesa da nacionalização.
Agora vêm os deputados
socialistas, responsáveis pela nacionalização do banco, dizer que os quadros
não podem ser vendidos.
Certamente querem os quadros nos
seus gabinetes.
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
o meu livro
Cada livro tem sua história,
a que o autor criou,
a de quem o comprou,
a de quem o leu,
e porventura a de quem não leu
…terá ouvido falar.
Já li livros que não esqueço,
alguns, gravados na memória,
cada qual com sua história.
Textos são armas de arremesso
Gritos de dor e de saudade
Lembranças que não esqueço
Memórias para a eternidade.
Este que te ofereço
Será o selo, autenticação,
Admiração e apreço.
Carlos Pereira
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
As empresas públicas não são cobaias para enriquecimento curricular, e sabe-se lá de mais o quê, dos políticos.
E os estaleiros de Viana? Ui,
aquilo anda quente! Mais de 600 trabalhadores convidados a sair. Fala-se que
menos de duzentos serão novamente contratados… É estranho, muito estranho!
É sabido que a Martifer ficou, há
já alguns anos, com a concessão de uma outra empresa do ramo em Aveiro, a
Navalria, S.A.. Concluo que a Martifer já terá alguma experiencia na área, logo
saberá porque necessita de cerca de duzentos e não seiscentos trabalhadores.
Preocupa-me os quatrocentos
trabalhadores que ficarão sem trabalho. Ao mesmo tempo pergunto se, até hoje,
terá havido trabalho nos estaleiros para toda esta gente. Seriam todos necessários?
Não sendo, porque é que ainda lá estavam? Quando foram contratados eram mesmo
necessários? Como entraram para os quadros da empresa. Terá havido concurso de
admissão? Ou terá sido, como em muitas outras ocasiões, em que se entrava
porque o chefe é amigo da família? Também, se assim fosse, não seria caso único
no país.
Se a Martifer ficou com a
concessão dos estaleiros, não será, certamente, para perder dinheiro. Será com
certeza para produzir e para rentabilizar.
Parece-me que os Estaleiros de
Viana são mais uma entre muitas empresas do Estado, onde não foram feitos os
rastreios na devida altura e agora a doença é maligna.
Pelo que me dá a entender, nas
empresas públicas, nunca foi preocupação dos gestores saber se as empresas eram
rentáveis ou não. Casos como RTP, PT, CP, TAP, EDP, Estaleiros, Metro,
Transtejo, entre muitas outras, são disso exemplo. Casos de autênticas
sague-sugas, sumidoras do erário público. Gestores que se auto promoviam, que
se auto avaliavam, que definiam os seus próprios vencimentos e os mais variados
prémios a si o por si atribuídos. Alguns sentiam-se como “Alice no país das
maravilhas”.
Sempre defendi que quanto menos
Estado gestor nas empresas, melhor para todos. Pelo menos da forma que as
coisas têm sido feitas, com cargos de chefia de nomeação politica. Basta nas
campanhas abanar umas bandeiras e já se tem um poleiro. Pessoas sem experiência
nenhuma na vida empresarial postas em Conselhos de Administração, ou como
executivos nas empresas do Estado deu no que deu. Prejuízos acumulados ao longo
dos anos sem que o Estado fizesse nada, ou melhor, fez, injetou dinheiro para
cobrir os prejuízos que os seus protegidos boys iam acumulando. Grande festa, os
gestores erravam o Estado injetava. Alterava o Governo, alteravam-se os cargos
de nomeação nas empresas e tudo continuava na mesma.
Nunca houve coragem para mudar,
para mostrar alguma sensatez nas decisões dos gestores.
É necessário parar com as
nomeações políticas nas empresas onde o Estado tem participações. As empresas
não são cobaias para enriquecimento curricular, e sabe-se lá de mais o quê, de
políticos. É necessário deixar que os quadros internos das empresas sejam
motivados pela aspiração aos lugares de chefia. Eles são quem melhor conhece as
empresas e o ramo de negócio.
Não vejo, nos atuais políticos,
capacidade para fazer de Portugal um país atrativo para investidores
estrangeiros, para fazer de Portugal um país respeitado, para por as contas públicas
equilibradas. Quando falo dos atuais políticos não me refiro apenas ao Governo,
falo de todas as bancadas da Assembleia da República. O país precisa de gente séria
e de trabalho que não procure o estrelato, mas sim o bem-estar de todos. Não
precisamos de oposições que o são apenas por serem. Precisamos de oposições que
quando tiverem de estar ao lado do governo lá estejam. Que ponham a Nação acima
de tudo. Precisamos de governos que reconheçam quando erram, que deem razão à
oposição quando ela merece.
Nada disto acontece e todos
sabemos porquê. Os olhos dos políticos estão sempre postos nas eleições, há que
agradar ao eleitorado. Uma medida impopular do Governo, mesmo que necessária, é
sempre uma arma para a oposição. O mesmo acontece quando a oposição faz uma
proposta válida, necessária a Portugal. O Governo não a aceita porque seria dar
parte de fraco, seria mostrar ao seu eleitorado que as suas ideias
esgotaram-se, ao mesmo tempo, se a proposta da oposição fosse aceite pelo
Governo, seria mais uma vez aproveitado pela própria oposição para dizer que eles
é que têm ideias para salvar o país e assim provocar uma onda de insatisfação
para com os Governo. Mediocridade, é disso que falo.
O povo já se apercebeu disto, a prova
está na cada vez maior abstenção nos atos eleitorais. Não tardará muito tempo
em que teremos governos eleitos com percentagens muito abaixo dos cinquenta por
cento. Que legitimidade terá um governo eleito por menos de metade dos
eleitores? – … não sei responder!
Não vejo os políticos preocupados
com isto, como não os vejo preocupados com muitas outras coisas, como é o caso
da baixa taxa de natalidade. Este é um assunto que me preocupa bastante.
Destruiu-se o pouco que havia para incentivar a natalidade. Dentro de poucos
anos sofreremos pelos erros agora cometidos. O tempo o dirá.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Poder Judicial / Poder Executivo
Alteração de poder em portugal, descobri que o Tribunal Constitucional é quem tem o poder executivo. A ele compete decidir se uma Lei do Legislativo deve ou não ser posta em prática.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Análise e comparação aos resultados das eleições autárquicas de 2009 e 2013 em São João de Lourosa
Mesmo sendo suspeita, aqui fica a minha
análise às eleições à Assembleia de Junta de Freguesia em São João de Lourosa.
2009
|
2013
|
Diferença
|
|
PSD
|
1097
|
810
|
-287
|
PS
|
702
|
777
|
75
|
CDS
|
144
|
161
|
17
|
CDU
|
70
|
100
|
30
|
BE
|
47
|
0
|
-47
|
Nulos
|
37
|
65
|
28
|
Brancos
|
48
|
98
|
50
|
Totais
|
2145
|
2011
|
-134
|
Quadro
comparativo das eleições em São João de Lourosa
entre 2009 e 2013
Ao analisarmos o quadro, verifica-se
que o PSD perdeu 287 votos, o PS aumentou 75 votos, o CDS aumentou 17, a CDU
aumentou 30, o BE não concorreu em 2013, os votos nulos aumentaram 28 e os
brancos aumentaram 50, verifica-se também que votaram menos 134 pessoas.
Os 30 votos a mais da CDU terão
sido retirados ao BE, partido que nestas eleições não apresentou lista
candidata, sobrando ainda 17 votos que possivelmente terão ido para o PS, visto
todos serem de esquerda.
Agora vamos ao PSD. O PSD perde
287 votos, 134 deles são de quem não votou nestas eleições comparando com 2009 e que, possivelmente, estará
descontente com a conjuntura atual do país, aos quais se deve juntar o aumento
de 78 votos nulos e em branco, mais o aumento do CDS em 17 votos. Com estes cálculos
restam 58 votos (287-134-78-17=58) que terão transitado do PSD para o PS.
O PS aumenta 75 votos
provenientes, possivelmente, 17 do BE e 58 do PSD, isto não levando em linha de conta o crescimento dos eleitores da freguesia, se este factor for levado em conta, poderá não ter retirado nenhum voto ao PSD.
Mesmo com a campanha feita pelo
PS, com outdoors espalhados por todo o lado, porcos no espeto para a população,
lanches no final das sessões de esclarecimento e mentiras, o PS apenas aumentou 75 votos em relação a 2009.
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